quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Economia e Vida

Campanha da Fraternidade 2010

Manfredo Araújo de Oliveira *

As Igrejas cristãs do Brasil que fazem parte do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs decidiram realizar este ano a terceira Campanha da Fraternidade Ecumênica. Este gesto pretende ser realizado no sentido de aprofundar nossa vida democrática, porque o que se quer na realidade é no reconhecimento pleno e explícito da laicidade do Estado dar uma contribuição para a construção de uma sociedade verdadeiramente promotora da dignidade do ser humano. Isto já se revela no testemunho destas igrejas de respeito à totalidade da existência humana e no seu empenho na busca daquele conjunto de condições sociais que possibilitam o desenvolvimento integral da personalidade humana.
O propósito da campanha já se exprime na explicitação dos objetivos fundamentais: "É necessário conclamar a todos e todas para construir uma nova sociedade, educar essa mesma sociedade afirmando que um novo modelo econômico é possível, e denunciar as distorções da realidade econômica existente, para que a economia esteja a serviço da vida". Em última análise o que se deseja é que a campanha seja capaz de mobilizar não só estas igrejas, mas as forças vivas da sociedade civil no sentido da procura de respostas concretas e eficazes às necessidades básicas das pessoas e à salvaguarda da natureza a partir de mudanças profundas, tanto a nível pessoal como comunitário e estrutural, derivadas de uma visão de mundo em que a justiça e a solidariedade constituam valores estruturantes.
Onde se situa para estas igrejas a questão de fundo que marca hoje nossas formações sociais? Na contraposição entre duas lógicas: a lógica do mercado e a lógica da vida. Em primeiro lugar trata-se de um fato: nossas sociedades têm no mercado o mecanismo central de sua estruturação, ou seja, são sociedades em que bens e serviços são vendidos e comprados, em que se produz em função da venda e da compra. No entanto se tem consciência que isto não é um fato qualquer, porque a maneira de organizar a sociedade em todos os seus níveis toca diretamente a dignidade do ser humano e sua capacidade de se desenvolver na família e na sociedade.
Por esta razão se desce a um segundo nível de indagação e se procura entender a lógica que rege este processo que é a lógica da acumulação do capital independentemente se isto conduz à destruição da natureza e à produção sistêmica da miséria de muitas famílias. Assim, chega-se à conclusão que todo este processo não está organizado em função da vida humana o que faz com que exigências humanas importantes para a vida digna não possam simplesmente ser satisfeitas através do mecanismo de mercado. É isto que permite um julgamento ético desta configuração da vida social a partir da constituição do ser humano e de sua dignidade. Numa palavra, a economia é uma dimensão fundamental da vida e por esta razão o julgamento de suas instituições e de suas políticas se deve fazer a partir de um critério básico: a maneira de elas protegerem ou destruírem a vida e a dignidade da pessoa humana.
Daí a afirmação ética básica: "Cada pessoa tem o direito fundamental à vida e, portanto, o direito a todas as coisas necessárias para uma vida de qualidade. As pessoas têm direito a viver e a satisfazer as necessidades básicas. Essas não consistem apenas em alimentação, vestuário e moradia, mas também educação, saúde, segurança, lazer, garantias econômicas e oportunidades de desenvolver todas as capacidades de que a pessoa é dotada". Ora é precisamente esta vida que está ameaçada em nossa sociedade em que viviam em 2007 10,7 milhões de indigentes (famintos) e 46, 3 milhões de pobres segundo dados fornecidos pelo Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade (IETS). A conjugação entre esta situação, a lógica do processo econômico que nos rege e seu julgamento ético nos leva a uma exigência fundamental: a busca de uma nova forma de organização social que ponha a vida humana acima dos interesses do mercado.

* Doutor em Filosofia e professor da UFC. Presidente da Adital

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O amor é lindo e poderoso



Gente apaixonada quer ficar junto, mas amor não é só isso. Um amor de verdade impulsiona sonhos, desperta nosso lado mais generoso e protetor, transforma pessoas e histórias. Por causa dele muita gente já se tornou melhor porque encontrou um motivo mais especial para viver. Não é à toa que os desenhos animados mostram o casalzinho enamorado ouvido sinos, flutuando no ar, vendo estrelas...
Uma força tão poderosa precisa ser direcionada para não termos conseqüências desastrosas. A sabedoria popular diz que “quem brinca com fogo acaba se queimando”. Todo cuidado é pouco: queimadura de amor dói muito! Como tudo que vale muito a pena, amor bonito exige sabedoria e maturidade. Não há receita garantida para dar certo, mas há alguns caminhos que visivelmente são mais perigosos que outros.
Alguns perigos vêm de muita confusão sobre o que é e o que não é o amor. Por exemplo: Ciúme faz parte do amor? Até que ponto? Amor exige que cada um ceda um pouco em favor do outro? Onde fica o limite dessa condescendência mútua?
Outros perigos vêm de uma sociedade que transforma tudo, inclusive o ser humano, em objeto de consumo. Aí deixa de haver uma relação entre pessoas e passa a haver uma “guerrinha” disfarçada, na qual cada um quer levar mais vantagem. Além disso, objeto de consumo é facilmente descartável depois de ter cumprido a sua finalidade de dar prazer, de preencher o tédio, de alimentar o ego de quem tem necessidade de mostrar que é capaz de uma conquista.
A questão do amor relaciona-se com a prática da relação sexual, com a sua busca do prazer e com o uso do corpo como uma forma de expressão. Nesse campo, vemos algumas coisas que podem tirar o amor de rumo. Por exemplo:
- Existe uma superexposição do corpo humano, fruto de exploração comercial. Para vender seja lá o que for, usa-se e abusa-se do corpo da mulher, e agora também do corpo do homem. A intimidade das pessoas vira argumento de publicidade. O corpo em questão deve estar dentro de certo padrão estético: quem não corresponde a esse padrão é desvalorizado.
- Trata-se a relação sexual como um encontro banal, tão simples como ir ao cinema ou comprar uma roupa nova. Preocupações maiores, quando há, referem-se a evitar gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis, como se o chamado sexo seguro desse conta de todas as questões envolvidas nesse tipo de relação.
- O ambiente, cercado de apelos sexuais por todos os lados, pode levar gente muito jovem a queimar etapas, perdendo fases bonitas e importantes do namoro e criando outros problemas.
- Estabelece-se uma espécie de obrigação de aproveitar todas as oportunidades para mostrar – sabe-se lá pra quem – que a pessoa em um sucesso em matéria de sexo. Essa preocupação estraga os relacionamentos, causando tensões que não tem nada a ver com o afeto que deveria estar se desenvolvendo.
O pior é que tudo isso, que é feito com a intenção declarada de “esquentar” a relação, pode ter efeitos exatamente contrários: a banalização diminui a emoção, a pressa acaba com a aventura fantástica que é ir conhecendo a outra pessoa e deixando o coração curtir devagar cada novidade, cada palavra, cada gesto que indica que os dois estão ficando importantes e indispensáveis um para o outro.


Atividades:


1 - No texto “O amor é lindo e poderoso” Therezinha M. L. da Cruz faz uma afirmação dizendo que estamos diante “de uma sociedade que transforma tudo, inclusive o ser humano, em objeto de consumo”. Levando em conta essa afirmação, responda: Você concorda com essa afirmação? O amor poderá ser reduzido ou prejudicado quando o ser humano é visto apenas como uma mercadoria?
2 - Explique a seguinte frase: “Sem amor, o homem torna-se árido, incapaz de encantar-se com a vida e de envolver-se com ela”.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O homem e a tecnologia

Texto I

A humanidade espera com volúpia novas descobertas: substâncias para debelar definitivamente a dor, sistemas para acabar com o lixo radioativo transformado em matérias inócuas, novas fontes de energia, técnicas adequadas para eliminar o barulho e a fome e reabsorver a poluição. Paralelamente, nunca tivemos tantas ferramentas para eliminar as quatro escravidões da escassez, da tradição, do autoritarismo e do cansaço físico.
Aristóteles, citado várias vezes porque é o pai da cultura ocidental, sonhava: se cada ferramenta pudesse, a partir de uma ordem dada, trabalhar por conta própria, se os teares tecem sozinhos, se o arco tocasse sozinho nas cordas da cítara, então os empreendedores poderiam privar-se dos operários e os proprietários, dos escravos. Nunca, como hoje, estivemos tão perto da realização desse sonho: fábricas inteiramente informatizadas já estão em operação em ter dos cinco continentes. O mito de Sísifo pode finalmente ser reescrito.
Como se sabe, o herói grego foi punido pelos deuses por excesso de engenhosidade. Segundo a explicação clássica, tendo ele cometido um pecado intelectual, foi punido em compensação com uma pena material: transportar por toda a eternidade uma rocha até o topo de um monte e, quando ele precipitava de novo até a base, tornar a pegá-la e levá-la outra vez até o alto do monte. Em plena sociedade industrial, o escritor francês Albert Camus reinterpretou esse mito: sendo Sísifo um intelectual, o seu verdadeiro sofrimento não se consumava na subida, quando a sua mente estava toda ocupada pelo esforço sobre-humano de transportar a rocha até o topo. O seu verdadeiro sofrimento era quando, com a pedra mais uma vez no alto do monte, Sísifo tinha que descer a escarpada e, sem nenhum esforço, tinha toda a trágica consciência de ter sido condenado pela crueldade dos deuses a um trabalho inútil e sem esperança.
Para nós, homens pós-industriais, há uma terceira alternativa. Sísifo ao qual delegará a canseira do transporte inútil e banal e se sentará no alto do morro para contemplar o seu robô em função, saboreando enfim a felicidade do ócio prazeroso. (MASI, Domenico de. Em busca do ócio. In: Veja 25 anos: reflexões para o futuro. São Paulo: Abril, 1993, p. 48-9. Livro integrante Veja, 26 (38), 22 set. 1993.).

Texto II

Ciência, tecnologia, comunicação, ação à distância, princípio da linha de montagem: tudo isso tornou possível o Holocausto. A perseguição racial e o genocídio não foram uma invenção de nosso século e herdamos do passado o habito de brandir a ameaça de um complô judeu para desviar o descontentamento dos explorados. Mas o que torna tão terrível o genocídio nazista é que foi rápido, tecnologicamente eficaz e buscou o consenso servindo-se das comunicações de massa e do prestígio da ciência.
Foi fácil fazer passar por ciência uma teoria pseudocientífica, porque, num regime de separação dos saberes, o químico que aplicava os gases asfixiantes não julgava necessário ter opiniões sobre a antropologia física. O Holocausto foi possível porque se podia aceitá-lo e justificá-lo sem ver seus resultados. Além de um número, afinal restrito, de pessoas responsáveis e de executantes diretos (sádicos e loucos), milhões de outros puderam colaborar à distância, realizando cada qual um gesto que nada tinha de aterrador.
Assim, este século soube fazer do melhor de si e o pior de si. Tudo o que aconteceu de terrível a seguir não foi senão repetição, sem grande inovação.
O século do triunfo tecnológico foi também o da descoberta da fragilidade. Um moinho de vento podia ser reparado, mas o sistema do computador não tem defesa diante da má intenção de um garoto precoce. O século está estressado porque não sabe de quem se deve defender nem como: somos demasiado poderosos para poder evitar nossos inimigos. Encontramos o meio de eliminar a sujeira, mas não o de eliminar os resíduos. Porque a sujeira nascia da indigência, que podia ser reduzida, ao passo que os resíduos (inclusive os radioativos) nascem do bem estar que ninguém quer mais perder. Eis porque nosso século foi o da angústia e da utopia de curá-la. Com um superego mais forte, a humanidade se embaraça num mal que conhece perfeitamente, confessa-o em público, tenta purificações expiatórias às quais se juntam as igrejas e os governos e repete o mal porque ação a distância e linha de montagem impedem identificá-los no inicio do processo. Espaço, tempo, informação, crime, castigo, arrependimento, absolvição, indignação, esquecimento, descoberta, crítica; nascimento, longa vida, morte... tudo em altíssima velocidade. Um ritmo de stress. Nosso século e o do enfarte. (ECO, Umberto. Rápida Utopia. In: Veja 25 anos: reflexões para o futuro. São Paulo: Abril, 1993, p. 114-5. Livro integrante Veja, 26 (38), 22 set. 1993.).

Atividades:

Desenvolvam um texto baseando-se das seguintes questões:
- Quais as idéias prrincipais de cada texto?
- Os dois textos são incompatíveis? Um nega o outro?
- Com qual deles vocês concordam? Por quê?

O homem e o trabalho

De onde vem a palavra trabalho? (aula 27-10)

Vem do latim tripaliare - "tortura por meio de um tripalium", instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho e o linho, para rasgá-los e esfiapá-los.
Ainda que originalmente o tripalium fosse usado no trabalho do agricultor, para o trato do cereal, é do uso desse instrumento como meio de tortura que a palavra trabalho significou, por muito tempo, algo como padecimento e cativeiro.
Assim sendo, e aliado ao sofrimento, passou a significar esforçar-se, laborar e obrar. A evolução veio a partir do século XV no sentido que vemos hoje: trabajo(espanhol); trabalho (catalão); travail (francês) e travaglio (italiano).
Para o psicanalista e escritor austríaco Igor Caruso, "o trabalho é uma inevitavel infelicidade humana".

Atividades (aula 27/10):
1- Você concorda com a concepção do psicanalista Igor ou acha que o trabalho é uma realização humana, uma realização que faz história, seja como fardo, prazer ou obrigação?

2- Observe a obra abaixo e desenvolva um texto baseando-se nas seguintes questões:
- O que você vê nessa obra?
- O que você sente ao ver essa imagem?
- Por que o ser humano trabalha?
- Será que o principal sentido da vida é trabalhar?

Clique no link e veja a imagem com melhor qualidade: http://rpassaro.zip.net/images/por.jpg

Atividades (aula 10/11) (em desenvolvimento)

1 - Leia a letra da música dos Paralamas do Sucesso

Paralamas Do Sucesso - Capitão De Indústria

Eu às vezes fico a pensar. Em outra vida ou lugar. Estou cansado demais

Eu não tenho tempo de ter.O tempo livre de ser. De nada ter que fazer. É quando eu me encontro perdido. Nas coisas que eu criei. E eu não sei. Eu não vejo além da fumaça. O amor e as coisas livres, coloridas. Nada poluídas

Eu acordo pra trabalhar. Eu durmo pra trabalhar. Eu corro pra trabalhar. Eu não tenho tempo de ter. O tempo livre de ser. De nada ter que fazer. Eu não vejo além da fumaça que passa. E polui o ar. Eu nada sei. Eu não vejo além disso tudo. O amor e as coisas livres, coloridas. Nada poluídas

Ouça a música Capitão de Indústria:http://www.youtube.com/watch?v=scdNn8M3qME

2-Tendo por base a letra da música "Capitão de indústria", exponha sua compeensão sobre a seguinte questão: que relação a música faz entre tempo e trabalho?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A Violência


O problema da violência se agrava a cada dia, ampliando-se a tal ponto que já convivemos com ele como se fosse normal. Entretanto, suas conseqüências são terríveis e chegam até a ameaçar a sobrevivência humana. Talvez a violência seja outro mal causado pela ausência de sentido; afinal, hoje tudo parece inútil, até mesmo a vida, que era considerada o maior bem.
A mensagem da violência está tão difundida e banalizada que, com freqüência, vemos até crianças e jovens cometer atos de extrema violência: espancar, linchar uma pessoa ou atear fogo nela apenas para se divertir, sem maiores sentimentos... Parece que a vida perdeu o valor. Por que isso acontece?
A resposta pode ser: as crianças e os jovens estão cada vez mais sozinhos, cada vez mais distantes da cultura e carentes de amor e de orientação. Os novos valores do mundo contemporâneo os afetam. Nada tem sentido, os valores espirituais se perderam o vazio tomou conta de todos. Isso faz com que a violência cresça e pareça banal. Precisamos fazer alguma coisa para mudar isso.
Tomemos emprestada a mensagem de Santo Agostinho, filosofo cristão, contra a violência. Ele coloca o amor como o oposto da violência. Somente o amor pode eliminar esse mal. O amor distingue as ações humanas! Muitas pessoas podem parecer boas – até a violência pode nos seduzir e vir acompanhada de boas razões -, mas não derivam do amor. Se amamos estamos livres para fazer qualquer coisa. Se todas as nossas ações saírem do coração, delas só poderá nascer o bem.
O amor em sentido profundo, de doação, de cuidado, de bondade, de saber dar sem nada pedir em troca é a única superação de grande parte da violência.

Referência Bibliografica: (INCONTRI, Dora; BIGUETO, Alessandro C. Todos os jeitos de crer: ensino inter-religioso. São Paulo: Ática, 2005.)


Atividades:

a)Na sua opinião, a forma como os jovens estão buscando sentido para suas está contribuindo para o aumento da violência? Justifique.

b) Que solução você sugere para o problema da banalização da violência na sociedade e entre os jovens?

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Somos os outros dos outros

(Alberto Cortés)

Nunca estamos satisfeitos com o que fazem os outros
e vivemos sozinhos, sem pensar nos outros,
como lobos famintos espreitando os outros,
convencidos de que são nosso alimento os outros.

Os erros são vasos que atiramos nos outros,
os acertos são nossos, nunca dos outros.
Cada passo, uma tentativa de pisar nos outros,
e é cada vez mais forte a batida da porta na cara dos outros.

As verdades ofendem, se ditas pelos outros;
as mentiras são vendidas se as compram os outros.
Somos juízes mesquinhos do valor dos outros,
mas não aceitamos que nos julguem os outros.

Apagamos a luz que, por amor aos outros,
acendeu em uma cruz quem morreu pelos outros.
Porque torna-se um peso compreender os outros,
caminhamos às escuras sem pensar nos outros.

Nosso tempo é valioso, não o dos outros,
nosso espaço precioso, não o dos outros.
Nos sentimos pilotos do andar dos outros,
onde estivermos nos suportem os outros.

Condenamos a inveja, se a inveja é dos outros,
se é nosso o descaso, não o entendem os outros.
Nos sentimos escolhidos entre todos os outros,
mais do que perfeitos, em relação aos outros.

Esquecemos que somos os outros dos outros.
que temos o ombro como todos os outros;
Carregamos nas costas, uns menos que outros,
vaidade e modéstia como todos os outros.

Esquecemos que somos os outros dos outros,
nos fazemos de surdos ao chamados dos outros.
Pois é pura bobagem escutar os outros,

chamamos de mania o amor do outros.



Aulas de Ensino Religioso Prof° Diego Bechi


Atividades:



a) Após ler a letra da música “Somos os outros dos outros” de Alberto Cortés, destaque as
informações que você mais se identificou e escreva um texto expondo suas idéias sobre as mesmas.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O homem e o consumo: a sociedade só pensa em prover as suas necessidades ou quer o supérfluo como sendo essencial?

A sociedade na qual estamos inseridos caracteriza-se pelo consumo. Sociedade e consumo são questões interligadas historicamente. Nas civilizações antigas, a vida relacionava-se diretamente ao ato de suprir carências básicas. Com o passar do tempo, o ato de consumir passou a ter relações com o contexto da economia familiar de troca, basicamente agrária e, como dizem os especialistas, as necessidades (bens e serviços) estavam ligadas às atividades produtivas de um ambiente reduzido.
Com a industrialização (século XVIII), as produções de bens perdem características mercadológicas. Assim, a sociedade passou a consumir/comprar o que os outros produziam fora do ambiente mais próximo. No século XX, as bases de uma cultura de consumo massificada já se encontram totalmente bem instaladas.
No mundo atual, a globalização por excelência, o consumo tornou-se uma problemática social. As pessoas, influenciadas pelas mais diversas formas de “marketing”, compram absurdamente na tentativa de suprir necessidades, muitas vezes, de ordem emocional. Na verdade, a sociedade do século XXI apresenta-se para o homem como sendo um modelo novo de comportamento.
Os seres humanos do século XXI, além de todas as problemáticas que enfrentam, participam de um modelo social totalmente subvertido, no que diz respeito a valores necessários. Há muito que consumir deixou de ser tão-somente uma ação primaria/básica e passou a ser um processo desgovernado, no qual vários fatores atestam a sua desconexão com reais carências do homem, a saber: a abundancia de produção ou “produtivismo”; “o desenvolvimento do marketing”; “a introdução de novas técnicas de comercialização”; “a expansão dos transportes e das comunicações”; “a revolução dos meios de comunicação social”; “a socialização dos bens e serviços”; “o lazer como produto de consumo”. Todos os fatores citados e mais alguns são pressupostos de análise diante das ações consumistas do homem moderno.
Em meio ao caos instalado, o sujeito social, o ser humano, enfrenta uma dupla dificuldade: por um lado, é um indivíduo potencialmente consumidor e, por outro, um indivíduo imerso em um meio social consumista, à margem do fato de atuar ou não como consumidor.
Ser um sujeito capaz de consumir é, em todos os sentidos mercadológicos, ser um individuo com potencialidades sociais. Comprar é o verbo que aciona o jogo do consumo e quem não o utiliza faz parte da margem. Fica fora do núcleo, não pertence ao grupo seleto dos homens contemporâneos.
Embora a estrutura econômica dite as regras de uma sociedade tipicamente consumista, não devemos perder de vista que, historicamente, o responsável por qualquer desequilíbrio social é o próprio homem, e que esse indivíduo que faz e coordena a sua própria economia. Nos últimos anos, nas sociedades avançadas, têm surgido algumas iniciativas políticas e sociais que desempenham um papel fundamental no que diz respeito aos chamados direitos do consumidor.
Referencia Bibliográfica
MORAIS, Armando; COSTA, Maria S. Ética e cidadania: valores humanos. Recife: Editora Construir, 2001.

1- Após o trabalho realizado em sala de aula sobre o consumismo, chegou a hora de pesquisar e escrever quais os direitos de um consumidor: